Norberto Martins – Cirurgia Robótica

Sensores e recursos digitais renovam as plataformas de cirurgia robótica

26 de outubro de 2026

A evolução da cirurgia robótica vai além dos braços que movimentam instrumentos. Sensores, atualizações de software e diferentes configurações dos equipamentos estão modificando a interação do cirurgião com a plataforma. Entre as novidades estão recursos que permitem perceber a força aplicada aos tecidos e consultar imagens da própria operação diretamente no console, a estação de controle do médico.

Um exemplo recente é o anúncio da Intuitive, em setembro de 2026, sobre a certificação europeia de instrumentos com retorno de força para o da Vinci 5. Segundo a fabricante, a tecnologia transmite aos controles manuais sensações relacionadas às forças de empurrar e puxar exercidas pelos instrumentos. Assim, além de acompanhar a imagem, o cirurgião recebe uma informação física sobre a manipulação dos tecidos.

Essa percepção pode ser complementada por um indicador visual. Apresentado pela empresa em setembro de 2025, o Force Gauge funciona como um mostrador da força aplicada na ponta de instrumentos compatíveis. Outra atualização permite rever trechos anteriores da cirurgia no próprio console, mantendo uma janela com a imagem ao vivo. São mudanças na maneira de apresentar informações durante o procedimento, não mecanismos que operam o paciente sozinhos.

Outra linha de desenvolvimento é a organização dos equipamentos. O sistema Hugo, da Medtronic, utiliza braços robóticos modulares, que podem ser posicionados separadamente, e um console aberto. A proposta é oferecer flexibilidade para distribuir os componentes na sala e configurar o acesso à região operada. Em dezembro de 2025, a fabricante anunciou autorização da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, para procedimentos urológicos naquele país.

As plataformas também estão se conectando a ferramentas digitais de treinamento e análise de vídeos. No ecossistema associado ao Hugo, por exemplo, há recursos de inteligência artificial para análise após a operação. É importante distinguir essas funções do comando dos instrumentos: nas plataformas descritas, quem conduz a cirurgia continua sendo o cirurgião.

Para o paciente, esses anúncios não devem ser interpretados como garantia de superioridade em qualquer operação. Uma novidade divulgada no exterior também não confirma sua disponibilidade em determinado hospital brasileiro. É necessário verificar a plataforma instalada, os recursos disponíveis e as indicações autorizadas para seu uso.

Na consulta, vale conversar com o cirurgião sobre quais dessas tecnologias têm relevância para o procedimento em discussão. Em avaliações de hérnias, doenças da vesícula ou refluxo, o diálogo com o Dr. Norberto Martins pode esclarecer as alternativas cirúrgicas e o papel da plataforma robótica, quando indicada.

← Voltar às notícias