Hérnias e cirurgia robótica: por que a posição da tela importa
2 de novembro de 2026

Na cirurgia de hérnias da parede abdominal, uma decisão importante acontece além do que aparece na pele: em qual camada colocar a tela de reforço. Técnicas robóticas permitem posicionar esse material atrás dos músculos ou em outro espaço separado dos órgãos internos. O objetivo não é apenas corrigir o abaulamento, mas reconstruir a região enfraquecida, respeitando suas estruturas.
Esse tema aparece em uma publicação de 2025 do Journal of Abdominal Wall Surgery, que descreve diferentes técnicas robóticas para hérnias ventrais — aquelas localizadas na parede anterior do abdome. Entre elas estão as hérnias incisionais, que surgem em áreas de cirurgias anteriores. A escolha do procedimento depende das características da abertura e dos tecidos ao redor.
Para entender a proposta, vale imaginar a parede abdominal como um conjunto de camadas. No reparo chamado retromuscular, a tela fica atrás dos músculos retos, localizados na parte da frente da barriga. Uma camada de tecido permanece entre o material e o conteúdo abdominal. Já no posicionamento pré-peritoneal, a tela fica antes do peritônio, membrana que reveste internamente o abdome.
A diretriz da Sociedade Europeia de Hérnia recomenda a posição retromuscular para hérnias incisionais da linha média, embora reconheça que a certeza das evidências para essa recomendação é muito baixa. Isso não significa que toda hérnia precise da mesma técnica, nem que essa posição seja exclusiva da robótica: ela também pode ser utilizada por outras vias cirúrgicas.
Nas operações robóticas, os instrumentos articulados ajudam a trabalhar nesses espaços e a realizar suturas. Em casos selecionados, é possível fechar a abertura da hérnia e colocar a tela como reforço, em vez de utilizá-la apenas para cobrir o defeito. Hérnias maiores ou com cicatrizes de operações anteriores podem exigir uma reconstrução mais extensa.
A tecnologia, porém, não determina sozinha a qualidade do reparo. Uma revisão da sociedade cirúrgica SAGES aponta limitações nas comparações disponíveis entre técnicas robóticas e não robóticas. Não há fundamento para afirmar que o robô seja superior em todas as situações ou que elimine a possibilidade de a hérnia voltar.
Em consulta com o cirurgião, vale conversar sobre a necessidade de tela, a posição planejada para o material e as alternativas de acesso. Essa avaliação permite entender se a cirurgia robótica faz sentido para o caso e quais são os limites e riscos da reconstrução proposta.
Fontes
- Robotic Surgical Procedures for Ventral Hernia Repair — Journal of Abdominal Wall Surgery, 2025. ([frontierspartnerships.org](https://www.frontierspartnerships.org/journals/journal-of-abdominal-wall-surgery/articles/10.3389/jaws.2025.14212/full))
- Midline incisional hernia guidelines: the European Hernia Society. ([pmc.ncbi.nlm.nih.gov](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10638550/?utm_source=openai))
- Robotic Ventral Hernia Repair versus Non-robotic Techniques: A SAGES Systematic Review and Meta-analysis. ([sages.org](https://www.sages.org/publications/guidelines/robotic-ventral-hernia-repair-techniques-sr-ma/))

